PostHeaderIcon Nova geração do forró conquista público jovem

Quando se fala de cultura junina, o forró é sem dúvida um dos elementos mais destacados. Dentro do estilo musical, uma vertente em particular faz mais sucesso entre o público jovem: o forró eletrônico - que agrega novos ritmos ao dançante forró tradicional. A grande popularidade das novas bandas de forró inspira a formação de fãs clubes, atualmente um dos maiores divulgadores do trabalho dos grupos. No fã clube, todo material publicado sobre a banda vira relíquia, as canções viram hinos, e as camisetas e faixas, mantos sagrados.

Durante os shows, as letras românticas e com histórias que falam do cotidiano de forma bem humorada levam os fãs à loucura. Nas sedes dos fãs clubes, é necessário dedicação para organizar a quantidade de material relacionado à banda, e o registro da mensalidade paga pelos fãs. No mundo virtual, outras centenas de admiradores compartilham novas músicas e histórias sobre a banda idolatrada, e combinam encontros para os próximos shows.

Vanessa Otávia, presidente e fundadora do fã clube “Eu vim pra te ver”, que homenageia a banda aracajuana Calcinha Preta, relata que a vida de fã não é fácil. “Durante os shows, me emociono muito e no final estou completamente sem voz”, conta. O “Eu vim pra te ver” existe há dez anos, e chegou a ter 90 pessoas em sua lista de inscritos. O grupo Calcinha Preta, que já teve dois nomes e formações diferentes, já gravou 20 cds e hoje comemora a presença de uma canção na trilha sonora da novela Caminho das Índias, da Rede Globo.

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E para fã que é fã não basta acompanhar os shows da banda predileta na própria cidade. A busca pela emoção de assistir o ídolo ao vivo leva os fãs a caírem na estrada e acompanharem a agenda de apresentações dos grupos em várias cidades diferentes. Alexandre da Silva é fã da banda Calcinha Preta há dez anos, e, sempre que pode, junta as economias e vai atrás dos espetáculos que agregam decorações inovadoras, coreografias elaboradas e efeitos especiais de luzes e sons.

“Para assistir o Calcinha Preta, já fui para São Paulo; fui para a gravação do primeiro DVD em Salvador; para a gravação do segundo DVD em Recife; para Natal; para Fortaleza, além de ter ido a várias cidades do interior de Sergipe. Quando não posso ir de avião, vou de ônibus. De tanto eu acompanhá-los, eles já me conhecem, inclusive fui convidado para o casamento de uma das vocalistas”, conta emocionado.

Para Vanessa Otávia, o fato de a banda Calcinha Preta ser de Aracaju contribui para divulgar o nome da cidade nos lugares por onde a banda passa. “O amor que eu tenho pelo Calcinha Preta vem muito do orgulho que eu tenho da minha cidade. No nordeste, a maioria das bandas conhecidas é de outras capitais, e ver uma banda de Aracaju fazer sucesso no cenário nacional é muito bom”, afirma.

Amor incondicional

Elaine Costa e Rodrigo Maggioni se conheceram na mesma época da formação da também banda aracajuana Fogo na Saia, no ano de 2002. De acordo com Elaine, desde então, as letras românticas interpretadas pelos vocalistas Xandy Melo e Fernanda Capricchi tem embalado o romance do casal. “São sete anos de relacionamento, e sete anos de admirando a Fogo na saia”, destaca. O fã clube da banda existe desde o ano de 2003, e conta com 25 membros.

Na opinião de Elaine, o diferencial da banda é o conteúdo das letras. “As músicas deles são escritas para falar ao coração, não usam expressões de duplo sentido. São perfeitas para dançar com quem se ama”, descreve a fã. Para Rodrigo Maggioni, a busca pela qualidade sonora exercida pelos músicos da banda é o que mais chama atenção. “Eles tem a preocupação de fazer tudo perfeito musicalmente, pois a banda é composta por músicos experientes. Eu considero esse cuidado um tremendo respeito aos fãs”, opina.

A rotina de devoção dos fãs da banda Fogo na Saia não é diferente da dos demais fãs clubes: reunir publicações, confeccionar faixas com declarações de amor, e decorar as novas letras para cantar nos shows. Após cada apresentação, os artistas recebem os tietes para uma sessão de fotos. Com o tempo, tanta dedicação é recompensada com a amizade dos artistas. ”Temos uma forte amizade com os vocalistas, que foi aumentando com o passar dos anos. Para nós isso é muito bom”, ressalta o casal.

Privacidade

Durante a época junina, uma banda de forró eletrônico chega a fazer três apresentações por noite, muitas vezes em cidades distintas. Os shows são sempre acelerados, e emocionam o público com seus ritmos e melodias. Para Vanessa Otávia, é importante que os fãs respeitem os momentos de descanso da banda, assim como a privacidade com relação à histórias pessoais.

“Todo o carinho que nós conquistamos da parte deles, a intimidade de poder recebê-los na nossa casa e até a relação de amizade verdadeira que eles compartilham conosco só é possível por causa deste respeito ao espaço deles”, afirma.

 

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