A tensão nas eleições
Além de nos Estados Unidos a população ter o direito de decidir votar ou não, todos também têm a chance de escolher o melhor dia e horário para fazê-lo, podendo ir às urnas antes mesmo do dia oficial das eleições. Na Carolina do Norte, por exemplo, as votações antecipadas têm início na terceira quinta-feira antes da terça depois da primeira segunda de novembro – não é piada, é isso mesmo (este ano, no dia 16 de outubro) –, e a população pode ir à sua seção de domingo a domingo nos turnos da manhã e da tarde até o último sábado antes do dia das eleições. Depois disso, só é possível votar na terça-feira, dia 4.
Apesar de a corrida presidencial começar no início do ano – 5 de fevereiro –, com as primárias dos partidos, o resultado oficial só é divulgado na primeira segunda-feira depois da segunda quarta de dezembro (dia 15, em 2008), após os delegados de cada estado – 538 no total – se reunirem para dar o voto oficial aos candidatos e finalmente decidir a eleição – ou seja, mais de um mês depois do fim do sufrágio.
Se apenas a simples definição das datas do processo já representa um verdadeiro exercício de pensamento abstrato, o procedimento em si tem o dom de fazer confusão na cabeça até dos maiores especialistas políticos do controverso sistema americano. Mas, por enquanto, nos atentemos somente ao funcionamento do ‘simples’ ato de votar…
‘Voluntariado’
Para quem tem interesse em participar do processo democrático de escolha dos seus candidatos, a primeira coisa que a pessoa tem que fazer é se registrar e informar ao conselho eleitoral que irá votar naquele pleito – o que hoje em dia já pode ser feito no mesmo momento da votação. Quem mora em outro país ou quem está fora por alguma razão também pode solicitar a cédula e mandá-la preenchida pelos correios.
Uma vez que a pessoa decide votar, a próxima etapa é começar a dura tarefa de escolher seu candidato para cada um dos aproximadamente 40 postos públicos que estão na cédula de votação – como presidente da república, senador, deputado, governador, juízes, secretários, supervisores dos mais diversos etc.
Cada estado é independente para realizar as eleições à sua maneira, e por isso há inúmeras diferenças na forma como o processo é levado em cada um deles; além disso, cada região tem seus candidatos específicos para os cargos mais locais – na Carolina do Norte, por exemplo, estes postos estão divididos entre os 42 condados e 198 distritos que formam o estado. Para facilitar a vida daqueles que votam por ideologia – ou dos que não querem perder muito tempo pensando em cada candidato –, há uma opção na cédula que o eleitor pode marcar e automaticamente votar em todos os representantes do mesmo partido – com a exceção do presidente, que deve sempre ser marcado separadamente.
Como nos Estados Unidos as pessoas não têm algo equivalente ao nosso título eleitoral, os interessados em votar só precisam apresentar qualquer documento ou alguma conta que contenha o seu endereço. Apesar de os responsáveis por organizar as votações afirmarem que não há possibilidade de um cidadão votar em favor de outro, por exemplo, muitos casos já foram registrados de pessoas mortas que estranhamente conseguiram votar no seu candidato preferido.
Antes tarde do que arrependido
Depois de receber a cédula e se dirigir a uma das cabines para preenchê-la, o eleitor vai até a máquina de leitura ótica e finaliza a votação. Se houver algum problema de identificação e o equipamento não conseguir ler corretamente os dados, um ‘beep’ soará e o eleitor terá a chance de receber outra folha e votar mais uma vez.
O fato de mais de um quinto dos eleitores norte-carolinenses já terem ido às urnas antes mesmo do dia das eleições mostra que as pessoas realmente estão interessadas em participar do processo e registrar sua opinião sobre quem elas consideram o melhor candidato para cada cargo. O que os votantes não devem fazer, porém, é confundir antecipação com precipitação.
Se algum erro de ordem ‘técnica’ for cometido dentro da seção, a máquina já está preparada para identificá-lo e sugerir a correção; se a ‘falha’, no entanto, estiver relacionada ao fato de a pessoa se dar conta que por algum motivo escolheu o candidato ‘errado’, não adianta se arrepender e querer mudar. Não é porque o sistema americano não dá muita atenção para checar as veracidade das informações dos eleitores que as pessoas não devem fazê-lo com as dos candidatos nos quais elas estão votando.
É preciso ter atenção e controlar a tensão eleitoral, afinal de contas, a idéia é votar antes, mas não para voltar atrás depois.











