A tensão nas eleições

Posted by admin | Sem categoria | sexta-feira 31 outubro 2008 3:14

Além de nos Estados Unidos a população ter o direito de decidir votar ou não, todos também têm a chance de escolher o melhor dia e horário para fazê-lo, podendo ir às urnas antes mesmo do dia oficial das eleições. Na Carolina do Norte, por exemplo, as votações antecipadas têm início na terceira quinta-feira antes da terça depois da primeira segunda de novembro – não é piada, é isso mesmo (este ano, no dia 16 de outubro) –, e a população pode ir à sua seção de domingo a domingo nos turnos da manhã e da tarde até o último sábado antes do dia das eleições. Depois disso, só é possível votar na terça-feira, dia 4.

Apesar de a corrida presidencial começar no início do ano – 5 de fevereiro –, com as primárias dos partidos, o resultado oficial só é divulgado na primeira segunda-feira depois da segunda quarta de dezembro (dia 15, em 2008), após os delegados de cada estado – 538 no total – se reunirem para dar o voto oficial aos candidatos e finalmente decidir a eleição – ou seja, mais de um mês depois do fim do sufrágio.

Se apenas a simples definição das datas do processo já representa um verdadeiro exercício de pensamento abstrato, o procedimento em si tem o dom de fazer confusão na cabeça até dos maiores especialistas políticos do controverso sistema americano. Mas, por enquanto, nos atentemos somente ao funcionamento do ‘simples’ ato de votar…

‘Voluntariado’

Para quem tem interesse em participar do processo democrático de escolha dos seus candidatos, a primeira coisa que a pessoa tem que fazer é se registrar e informar ao conselho eleitoral que irá votar naquele pleito – o que hoje em dia já pode ser feito no mesmo momento da votação. Quem mora em outro país ou quem está fora por alguma razão também pode solicitar a cédula e mandá-la preenchida pelos correios.

Uma vez que a pessoa decide votar, a próxima etapa é começar a dura tarefa de escolher seu candidato para cada um dos aproximadamente 40 postos públicos que estão na cédula de votação – como presidente da república, senador, deputado, governador, juízes, secretários, supervisores dos mais diversos etc.

Cada estado é independente para realizar as eleições à sua maneira, e por isso há inúmeras diferenças na forma como o processo é levado em cada um deles; além disso, cada região tem seus candidatos específicos para os cargos mais locais – na Carolina do Norte, por exemplo, estes postos estão divididos entre os 42 condados e 198 distritos que formam o estado. Para facilitar a vida daqueles que votam por ideologia – ou dos que não querem perder muito tempo pensando em cada candidato –, há uma opção na cédula que o eleitor pode marcar e automaticamente votar em todos os representantes do mesmo partido – com a exceção do presidente, que deve sempre ser marcado separadamente.

Como nos Estados Unidos as pessoas não têm algo equivalente ao nosso título eleitoral, os interessados em votar só precisam apresentar qualquer documento ou alguma conta que contenha o seu endereço. Apesar de os responsáveis por organizar as votações afirmarem que não há possibilidade de um cidadão votar em favor de outro, por exemplo, muitos casos já foram registrados de pessoas mortas que estranhamente conseguiram votar no seu candidato preferido.

Antes tarde do que arrependido

Depois de receber a cédula e se dirigir a uma das cabines para preenchê-la, o eleitor vai até a máquina de leitura ótica e finaliza a votação. Se houver algum problema de identificação e o equipamento não conseguir ler corretamente os dados, um ‘beep’ soará e o eleitor terá a chance de receber outra folha e votar mais uma vez.

O fato de mais de um quinto dos eleitores norte-carolinenses já terem ido às urnas antes mesmo do dia das eleições mostra que as pessoas realmente estão interessadas em participar do processo e registrar sua opinião sobre quem elas consideram o melhor candidato para cada cargo. O que os votantes não devem fazer, porém, é confundir antecipação com precipitação.

Se algum erro de ordem ‘técnica’ for cometido dentro da seção, a máquina já está preparada para identificá-lo e sugerir a correção; se a ‘falha’, no entanto, estiver relacionada ao fato de a pessoa se dar conta que por algum motivo escolheu o candidato ‘errado’, não adianta se arrepender e querer mudar. Não é porque o sistema americano não dá muita atenção para checar as veracidade das informações dos eleitores que as pessoas não devem fazê-lo com as dos candidatos nos quais elas estão votando.

É preciso ter atenção e controlar a tensão eleitoral, afinal de contas, a idéia é votar antes, mas não para voltar atrás depois.

Across the universe

Posted by admin | Sem categoria | quinta-feira 30 outubro 2008 3:08

Por inúmeras razões, Barack Obama tem sido repetidamente comparado com um dos mais populares e carismáticos políticos da história dos Estados Unidos: John Fitzgerald Kennedy. Analisando a questão mais de perto, no entanto, pode-se dizer que o candidato à presidência americana pelo Partido Democrata parece ter ainda mais semelhanças com outro ícone da década de 1960: os Beatles.

No comício realizado na manhã desta quarta em Raleigh, foi possível perceber o quanto Obama se tornou um fenômeno nacional, uma espécie de super-herói – como algumas pessoas estampam em suas camisas –, no qual grande parte da população americana decidiu depositar suas esperanças de um presente e um futuro melhor – idéia que parece realmente já ter atravessado o universo, pois o mundo está mais centrado do que nunca nestas eleições, e de maneira geral, a favor de Obama.

Além de vestirem camisetas, usarem broches, levantarem cartazes e comprarem baralho do democrata, os apoiadores e simpatizantes do partido pareciam estar vivendo o momento das suas vidas durante o comício. Não apenas os pais levaram seus filhos para ver o ídolo de perto, não apenas os participantes cantaram entusiasticamente o hino nacional, não apenas as milhares de pessoas que estavam lá vibraram a cada palavra proferida pelo candidato, mais do que isso: todos os presentes queriam ter a chance de tocar em Barack Obama, ou pelo menos de vê-lo de perto para registrar aquela ocasião histórica nas suas câmeras e celulares e guardar para sempre o registro daquele momento.

Come together

O engenheiro Steve Chesney, por exemplo, decidiu mudar um pouco o roteiro diário da sua família, e em vez de levar seu filho de seis anos à escola, ele preferiu atender ao pedido do pequeno e realizar sua vontade de ver Barack Obama ao vivo. “Eu o trouxe para cá hoje porque ele está sempre perguntando sobre o processo, quer saber quem está na frente nas pesquisas e queria muito vir”, explica. Entre uma frase e outra do democrata, pai e filho vibravam juntos e gritavam de maneira bastante inspirada: “é isso aí!”.

Segundo Chesney, os maiores motivos de ele ter escolhido Obama para presidente estão relacionados à crise econômica e à Guerra do Iraque. “Eu servi o Exército e fui para o Iraque em 1991, mas já naquela época eu imaginava que o país seria atacado outra vez. Além de ser estúpida, essa guerra fere as relações externas do nosso país, e por isso precisamos voltar a ser o que éramos antigamente e dar a confiança do povo de volta”. Para o veterano, não é apenas o fato de Obama ser afro-americano que o faz querê-lo como seu representante: “voto nele porque ele é inteligente”.

Help!

Antes, durante e depois do discurso que durou cerca de 40 minutos, inúmeras pessoas passeavam entre a multidão para tentar convencer os possíveis eleitores a votarem antes do dia final do pleito – o que é algo bastante comum nos Estados Unidos. Alguns são contratados pela campanha, mas muitos outros trabalham voluntariamente. Dereck Thomas é um desses voluntários que decidiu se juntar ativamente ao movimento pró-Obama, e há sete dias tem participado de diversas atividades para incentivar a população a votar no seu candidato.

Apesar de considerar a Carolina do Norte um estado com ainda muitos resquícios de racismo, Thomas diz não ter dúvidas de que o democrata vencerá a corrida eleitoral não só a nível estadual, mas também a nível nacional. “É muito importante que as pessoas participem das campanhas e lutem pelo seu candidato, e eu tenho certeza que Obama vencerá aqui, pois todos nós queremos mudança”. Entre os quase 200 voluntários presentes no evento, havia inclusive um grupo que veio da Inglaterra especialmente para ajudar na campanha do democrata.

Back in the USSR

Como já se podia esperar, além dos temas relacionados à Guerra do Iraque, à educação e ao sistema de saúde, os assuntos mais debatidos por Obama tinham como pano de fundo a economia. A respeito das acusações que têm sido feitas contra ele sobre este último aspecto, o candidato democrata foi bastante incisivo e irônico: “Nos últimos dias, McCain tem me acusado de muitas coisas, e eu não sei o que ele ainda poderá falar de mim. Até o fim da semana ele vai me chamar de comunista secreto porque eu dividia meus brinquedos no jardim de infância”.

De acordo com o senador, seu objetivo é fortalecer o capitalismo, mas com responsabilidade. “McCain chama isso de socialismo, mas eu chamo de oportunidade. Nós não precisamos de um governo maior ou menor, a gente precisa de um governo melhor, mais inteligente”. Dada a oportunidade, Obama também aproveitou mais uma vez para vincular a imagem do candidato republicano à do atual presidente da república. “O que é que McCain vai fazer diferente do que Bush fez? As pessoas têm dito que ele é um dissidente, mas na verdade ele é um grande amigo de Bush”.

From me to you

Todo grande político é esperto o suficiente para saber qual é a melhor maneira possível de se sair de uma situação difícil ou de simplesmente fazer o que as pessoas esperam que seja feito em determinados momentos. Durante o discurso, ao perceber que um dos presentes estava passando mal em meio à multidão, o democrata, de maneira bastante informal – alguns diriam até paternalista –, lembrou-lhe que era muito importante comer bem antes de ir aos comícios, e imediatamente jogou sua própria garrafa de água para que a pessoa pudesse beber.

Carisma? Demagogia? Depende do ponto de vista. Independente da visão de cada um, porém, o fato é que o comício foi sem dúvida um show grandioso e as pessoas saíram de lá encantadas. Com tantas atrações, a única coisa da qual os presentes devem ter sentido falta no evento desta quarta foi o que deveria ter sido o último intertítulo deste texto: Michelle.

Comício sem míssil

Posted by admin | Sem categoria | quarta-feira 29 outubro 2008 4:04

A Carolina do Norte tem tido realmente um papel de grande destaque nas eleições presidenciais de 2008. Nesta terça, o senador McCain esteve na cidade de Fayetteville – distante 83 km de Raleigh – fazendo campanha em busca dos 15 votos eleitorais do estado. Nesta quarta-feira, será a vez de Obama, que a partir das 11h15 dará mais um discurso para a população norte-carolinense.

Justamente nesta terça, os jornais americanos publicaram uma matéria sobre um suposto massacre que estava sendo articulado por dois jovens do Tennessee de 18 e 20 anos, respectivamente. Segundo o jornal USA Today, os acusados planejavam matar 88 afro-americanos e decapitar 14 deles. O “ato final de violência”, como eles mesmos descreveram, consistia em assassinar o senador Barack Obama.

Apesar do caráter bastante amador do plano, o fato já é suficiente para dar um maior alerta aos candidatos quanto à sua segurança, já que nos últimos dias de campanha o clima tende a esquentar ainda mais. Para ter acesso ao discurso do senador por Illinois, por exemplo, será preciso passar por uma grande revista – como de praxe – e os participantes do evento não poderão ter acesso ao local com nenhum tipo de bolsa, sacola ou mesmo placas ou cartazes – os quais serão distribuídos internamente.

Mesmo sabendo que a revista cuidadosa já é suficiente para evitar o ingresso de qualquer tipo de arma, os organizadores preferem não correr o risco de alguém ter habilidade suficiente para fazer um projétil com qualquer coisa que tenha em mãos para lançar no candidato. Afinal de contas, mesmo que por motivos meramente simbólicos e aparentemente estranhos, a própria Al-Qaeda já declarou publicamente seu apoio a McCain…

Elizabeth Dole

No fim da manhã de segunda-feira, quando regressávamos ao hotel para pegar alguns documentos, esbarramos sem querer em uma espécie de comício improvisado feito pela senadora republicana candidata à reeleição pela Carolina do Norte, Elizabeth Dole, que falava para algumas dezenas de pessoas ao lado da sede do seu partido.

Mesmo tendo poucas chances de manter seu cargo em 2008 depois de uma queda considerável nas intenções de voto apontada pelas pesquisas – se mantém atualmente com cerca de 42% contra 47% da democrata Kay Hagan –, ela se mostrou bastante confiante no seu discurso e pediu o apoio da população: “Eu preciso do seu tempo, do seu dinheiro e do seu sangue. Preciso também que vocês rezem por mim”.

Na verdade, os dois tipos de eventos políticos são bastante comuns nas campanhas eleitorais americanas – um de caráter extremamente organizado e metódico e outro com aspectos muito informais –, e o fato é que as pessoas parecem participar com bastante entusiasmo e convicção de que aquilo é importante para elas.

No caso de Dole, é certo que a reunião contava com a presença quase que exclusiva de correligionários ou curiosos desprevenidos – como alguns 20 estudantes brasileiros que passavam pelo local no momento. Já no comício de McCain realizado nesta terça e no de Obama que acontecerá nesta quarta, a intenção da maioria das pessoas vai além do simples fato de declarar o seu apoio ao candidato de sua preferência: é uma excelente oportunidade para ver de perto e com os próprios olhos o show eleitoral que passa na TV todos os dias.

E eles já devem lamentar antecipadamente no fundo do seu coração a chegada do fim do pleito com uma frase bastante sugestiva direcionada aos candidatos: “I Will miss you” – com o perdão do trocadilho.

Primeiro café com uma dama em despedida

Posted by admin | Eleições EUA | quarta-feira 29 outubro 2008 1:28

Em tom bastante formal, mas descontraído, a primeira-dama da Carolina do Norte, Mary Easley, recebeu o nosso grupo para um café na Mansão Executiva do estado e nos falou um pouco sobre a sua impressão em relações às eleições presidenciais de 2008. Correspondendo ao que as pessoas já esperam de uma primeira-dama, a promotora de 58 anos afirma que o seu objetivo tem sido participar ao máximo possível da vida pública do estado – e de maneira independente do seu marido.

Em clima de despedida, já que este ano o Governador Michael Easley está no segundo mandato e não poderá concorrer à reeleição, ela acredita que a experiência de ter sido primeira-dama foi muito boa, mas afirma que sempre entendeu o ‘cargo’ como algo passageiro. “Eu sou uma advogada, meu marido também, e a gente quer continuar nossa carreira depois destes oito anos. Tem sido uma experiência muito interessante morar aqui na mansão, mas também sentimos falta de privacidade”.

Apesar de ser democrata, Easley acredita que o melhor caminho para se obter uma política de sucesso e resolver os problemas do país é através da união de forças entre os políticos e os partidos. Sobre McCain, ela o considera uma pessoa muito capaz e responsável, e afirma que não tem dúvidas de que ele seria um bom presidente; já em relação a Palin… Bom, quando perguntada se a candidata republicana a vice era uma boa opção por ser mulher, sua resposta foi extremamente firme e direta: “Eu quero que os líderes deste país sejam mais inteligentes do que eu, e eu não vejo isso na Palin. Eu não votaria em alguém só porque ela é mulher”.

Como já era de se esperar, a visão da primeira dama em relação a Obama é bastante positiva, o que, para ela, está ligado principalmente ao fato de ele ser um presidenciável que em tese representa a diversidade do povo americano. “Obama é um candidato ‘misto’, mas apesar de alguns acharem isso bom, outros consideram que esse aspecto seja ruim. Mesmo assim, acredito que estamos progredindo, pois eu cheguei a ver um tempo aqui em que havia um banheiro para brancos e outro para o que eles chamam de ‘pessoas de cor’”.

A nível estadual, a disputa para o cargo de governador está bastante acirrada entre os dois partidos e ainda não se pode prever se a 28º família a habitar a Mansão Executiva da Carolina do Norte – nos seus 117 anos de existência – será democrata ou republicana. A certeza que se pode ter, no entanto, é de que a próxima ‘primeira-família’ terá que trabalhar bastante para tentar conter a crise, conquistar o prestígio da população e, conseqüentemente, obter a legitimidade para usufruir das mordomias da casa sem correr o risco de se tornar impopular.

Qual é o seu problema?: ‘mine is money’

Posted by admin | Eleições EUA | terça-feira 28 outubro 2008 1:37

Uma das melhores maneiras para se entender os anseios e aspirações da população de um determinado local é através do contato direto com suas manifestações culturais. Após a primeira impressão que tivemos dentro do aeroporto, finalmente conseguimos chegar à cidade que será nossa casa por dez dias: Raleigh, Carolina do Norte. E nada mais típico para uma cidade relativamente pequena do sul dos Estados Unidos do que uma festa – ‘fair’ – que acontece há mais de cem anos, na qual toda a população se junta para comemorar o período de colheita e se preparar para o inverno.

Além de vivenciar as muitas comidas típicas, os brinquedos, a música, as abóboras gigantes e as corridas de porco, na edição deste ano algumas pessoas também aproveitaram para mostrar a sua preferência política através de adesivos e camisetas. No ponto tocante às eleições – assim como no que se refere à crise –, todos por aqui sempre têm alguma coisa para falar.

Como a região ainda tende a ser bastante conservadora, muita gente, principalmente quem mora no campo, não tem dúvidas de que votará em McCain. Já na cidade, no entanto, a popularidade de Obama parece ser superior. De acordo com os dados divulgados até o momento, aproximadamente um milhão de pessoas – um quinto do total de eleitores registrados para estas eleições – já votaram para presidente na Carolina do Norte, e destas, quase 60% preferiram o candidato democrata.

Apesar desta considerável vantagem de Barack Obama neste que é um estado tradicionalmente republicano – e por isso, com muita força para McCain –, tudo indica que o ganhador dos 15 votos do colégio eleitoral da Carolina do Norte terá uma vitória bastante apertada. Para quebrar a tradição conservadora da região, Obama implementou 45 escritórios democratas no estado, 10 a mais que McCain.

O cientista político e professor da NC State University, Bill Boettcher, acredita que o candidato democrata conseguirá os 270 votos colegiais de todo o país necessários para chegar a presidência, mas duvida que ele vencerá na Carolina do Norte. “O nosso estado já tem a tradição de votar para os republicanos a nível nacional. Nas últimas eleições, por exemplo, Bush ganhou aqui com 12% de diferença, o que é uma marca muito alta para se ultrapassar em apenas quatro anos”.

Para o especialista, o fator que mais influenciará o eleitorado americano nestas eleições será a crise econômica e a maneira como cada candidato pretende resolvê-la. Em pesquisa realizada recentemente, ele chegou à conclusão de que 40% dos americanos estão mais interessados nesta questão, seguidos dos 14% que consideram a questão dos impostos mais relevantes. A Guerra do Iraque e a luta contra o terrorismo são os outros fatores citados, com 10% para cada um – o que daria um total de 20%, considerando ambas as questões como de segurança nacional.

Mesmo com toda essa preocupação no que se refere à crise, os americanos parecem estar adiando um pouco a readequação dos seus hábitos de consumo e transferindo para o próximo Presidente da República a tarefa de resolver todos os problemas sozinho e em tempo hábil. Uma prova disso foi a própria participação das pessoas na festa e o investimento de cada família para poder ‘bancar’ seu dia de lazer – relativamente caro – em nome da tradição cultural.

O problema é que alguns parecem ainda não ter entendido que a tradição consumista dos Estados Unidos pode estar perto de sofrer uma grande mudança. Mas enquanto eles não se preocupam em contar o dinheiro que têm no próprio bolso – apesar de se mostrarem bastante preocupados com a economia a nível macro –, todo o condado já está em contagem regressiva para a festa do próximo ano – esperando que o Tio Sam, através do próximo presidente, encha os seus bolsos de dinheiro até lá.

Infelizmente, em tempos de crise, até os super-heróis estão tentando tirar o que ainda resta no bolso das pessoas.


The show must go on

Posted by admin | Eleições EUA | segunda-feira 27 outubro 2008 16:59

A grande expectativa para ver de perto o cenário do tão comentado show eleitoral americano foi transformada em uma grande ‘espera-ativa’ no aeroporto internacional de Dulles, em Washington (DC), por conta da manutenção que estava sendo realizada em algumas aeronaves da companhia aérea com a qual estávamos viajando – o que nos proporcionou um atraso de quatro horas.

Apesar de sentir na pele o que o Tom Hanks passou no filme ‘O Terminal’ – estando preso em um aeroporto observando o mundo lá fora apenas pelas grandes janelas de vidro –, o que já suspeitávamos se confirmou ainda dentro deste local isolado: em tempos de eleições, os candidatos à presidência americana realmente andam mais populares do que os próprios ‘Pop Stars’. Além de serem capa das principais revistas e jornais, os presidenciáveis estão bastante representados em broches, camisas e canecas que carregam seus nomes e suas fotos por toda a parte.

E por falar em ‘Pop Stars’ e em shows, enquanto esperava o desfecho do aeroporto tive a oportunidade de conversar com um suposto famoso cantor pop paquistanês que está em turnê por alguns países e que tinha como próximo destino a cidade de Nova Iorque. Da mesma forma que nós, Adeel Choudhary não pôde fazer nada a não ser esperar e lamentar a situação com um cochilo. Em tempos de crise, até os ‘pops’ estão baixando a cabeça e ‘emprestando’ seu lugar na mídia – inclusive nas revistas e programas de fofoca – para o republicano e o democrata que disputam a presidência dos Estados Unidos.

No fim das contas, porém, independente do que aconteça, o show não pode parar.

O show que todos querem ver

Posted by admin | Sem categoria | segunda-feira 27 outubro 2008 10:45

Com um sistema eleitoral estabelecido há mais de 220 anos, os Estados Unidos provavelmente nunca teve um pleito tão diversificado e tão importante como o deste ano. Além do próprio perfil dos candidatos – que expressa uma diversidade de religião, idade, gênero e raça nunca vista antes –, o eleitorado também parece trazer em 2008 uma visão bastante diferente em relação à importância do voto.

Um bom exemplo desta ‘nova mentalidade’ é o fato de 1960 ter sido o último ano em que mais de 50% dos eleitores foram às urnas para escolher o presidente. Daí em diante, a taxa de participação caiu a cada ano, e somente em 2004 houve um certo aumento no número de votantes – motivados principalmente pela impopular Guerra do Iraque. Para o pleito de 2008, a expectativa é de que haja uma ampliação considerável no engajamento dos eleitores – o que já pode ser notado tanto pelas movimentações públicas quanto pelas doações financeiras a ambas as campanhas.

Para observar todos esses aspectos, em um momento duplamente histórico – econômica e politicamente falando –, nada melhor do que vivenciar as eleições americanas em um dos estados que prometem ser mais decisivos no pleito. Juntamente com a Virgínia, a Carolina do Norte, que é um local tradicionalmente republicano, está apontando uma tendência favorável a Obama – situação que transcende a idéia dos chamados ‘swing states’, pois nestes últimos, a variação da preferência partidária em cada pleito já é de praxe. Na história recente dos Estados Unidos, as únicas vezes que um candidato democrata ganhou a disputa presidencial na Carolina do Norte foi em 1964 e em 1976.

Isso não quer dizer, no entanto, que essa regra possa ser aplicada em todos os níveis eleitorais, já que, de 1901 até o presente momento, 22 governadores do estado foram democratas, contra apenas dois republicanos. Segundo Carlos Eduardo Lins da Silva, atual ombudsman da Folha de São Paulo – e que cobriu as eleições americanas entre 1976 e 2004 –, essa aparente discrepância se deve a uma questão específica: o fato de os americanos não gostarem de concentração de poder. Analisando a premissa a nível nacional ele acredita que “como o Congresso será Democrata, pode ser que as pessoas no final das contas prefiram o McCain para evitar essa concentração” – apesar de Obama liderar as pesquisas.

Além deste fator, algo que também pode explicar o aparente ‘paradoxo’ da Carolina do Norte é o fato de as pessoas muitas vezes votarem em candidatos locais independente do partido ao qual eles são filiados – por simpatia ou por conhecer de perto o seu trabalho, por exemplo. Deste modo, fica claro que o voto nos Estados Unidos em muitos casos não é tão ideológico quanto possa parecer, o que torna extremamente viável a possibilidade de um eleitor votar em um candidato de um partido a nível local e em outro de bandeira diferente a nível nacional.

No final das contas, o que importa é que, independente das tendências e das expectativas que permeiam as eleições americanas deste ano, o próximo governante dos Estados Unidos da América terá uma grande responsabilidade nas costas, e seguramente não gozará de tanto poder e prestígio que tal cargo sempre representou. Na opinião de alguns, a vitória do democrata ou do republicano não fará tanta diferença na condução política do país, já que ambos terão a obrigação de resolver os problemas da maneira mais eficiente e eficaz possível. Já outros, acreditam que os programas são de governo são bem definidos e divergentes.

Para nós, brasileiros, no entanto, parece que os processos políticos e econômicos não sofrerão nenhuma mudança radical. De acordo com Carlos Eduardo, “nunca faz diferença para nós quem é o presidente dos Estados Unidos, pois o Brasil não é importante para eles”. Traduzindo: é bom que não sejamos citados nos debates eleitorais americanos, por exemplo, pois isso significa que a ‘Terra Brasilis’ não representa um ‘problema’ para a maior potência do mundo, que ainda tenta, com todas as forças, defender o seu prestígio decadente.

A Carolina do Norte com certeza será um ótimo lugar para se sentar na platéia e ver de perto o que acontecerá no palco eleitoral americano nas próximas duas semanas.