Primeiro café com uma dama em despedida

Posted by admin | Eleições EUA | quarta-feira 29 outubro 2008 1:28

Em tom bastante formal, mas descontraído, a primeira-dama da Carolina do Norte, Mary Easley, recebeu o nosso grupo para um café na Mansão Executiva do estado e nos falou um pouco sobre a sua impressão em relações às eleições presidenciais de 2008. Correspondendo ao que as pessoas já esperam de uma primeira-dama, a promotora de 58 anos afirma que o seu objetivo tem sido participar ao máximo possível da vida pública do estado – e de maneira independente do seu marido.

Em clima de despedida, já que este ano o Governador Michael Easley está no segundo mandato e não poderá concorrer à reeleição, ela acredita que a experiência de ter sido primeira-dama foi muito boa, mas afirma que sempre entendeu o ‘cargo’ como algo passageiro. “Eu sou uma advogada, meu marido também, e a gente quer continuar nossa carreira depois destes oito anos. Tem sido uma experiência muito interessante morar aqui na mansão, mas também sentimos falta de privacidade”.

Apesar de ser democrata, Easley acredita que o melhor caminho para se obter uma política de sucesso e resolver os problemas do país é através da união de forças entre os políticos e os partidos. Sobre McCain, ela o considera uma pessoa muito capaz e responsável, e afirma que não tem dúvidas de que ele seria um bom presidente; já em relação a Palin… Bom, quando perguntada se a candidata republicana a vice era uma boa opção por ser mulher, sua resposta foi extremamente firme e direta: “Eu quero que os líderes deste país sejam mais inteligentes do que eu, e eu não vejo isso na Palin. Eu não votaria em alguém só porque ela é mulher”.

Como já era de se esperar, a visão da primeira dama em relação a Obama é bastante positiva, o que, para ela, está ligado principalmente ao fato de ele ser um presidenciável que em tese representa a diversidade do povo americano. “Obama é um candidato ‘misto’, mas apesar de alguns acharem isso bom, outros consideram que esse aspecto seja ruim. Mesmo assim, acredito que estamos progredindo, pois eu cheguei a ver um tempo aqui em que havia um banheiro para brancos e outro para o que eles chamam de ‘pessoas de cor’”.

A nível estadual, a disputa para o cargo de governador está bastante acirrada entre os dois partidos e ainda não se pode prever se a 28º família a habitar a Mansão Executiva da Carolina do Norte – nos seus 117 anos de existência – será democrata ou republicana. A certeza que se pode ter, no entanto, é de que a próxima ‘primeira-família’ terá que trabalhar bastante para tentar conter a crise, conquistar o prestígio da população e, conseqüentemente, obter a legitimidade para usufruir das mordomias da casa sem correr o risco de se tornar impopular.

Qual é o seu problema?: ‘mine is money’

Posted by admin | Eleições EUA | terça-feira 28 outubro 2008 1:37

Uma das melhores maneiras para se entender os anseios e aspirações da população de um determinado local é através do contato direto com suas manifestações culturais. Após a primeira impressão que tivemos dentro do aeroporto, finalmente conseguimos chegar à cidade que será nossa casa por dez dias: Raleigh, Carolina do Norte. E nada mais típico para uma cidade relativamente pequena do sul dos Estados Unidos do que uma festa – ‘fair’ – que acontece há mais de cem anos, na qual toda a população se junta para comemorar o período de colheita e se preparar para o inverno.

Além de vivenciar as muitas comidas típicas, os brinquedos, a música, as abóboras gigantes e as corridas de porco, na edição deste ano algumas pessoas também aproveitaram para mostrar a sua preferência política através de adesivos e camisetas. No ponto tocante às eleições – assim como no que se refere à crise –, todos por aqui sempre têm alguma coisa para falar.

Como a região ainda tende a ser bastante conservadora, muita gente, principalmente quem mora no campo, não tem dúvidas de que votará em McCain. Já na cidade, no entanto, a popularidade de Obama parece ser superior. De acordo com os dados divulgados até o momento, aproximadamente um milhão de pessoas – um quinto do total de eleitores registrados para estas eleições – já votaram para presidente na Carolina do Norte, e destas, quase 60% preferiram o candidato democrata.

Apesar desta considerável vantagem de Barack Obama neste que é um estado tradicionalmente republicano – e por isso, com muita força para McCain –, tudo indica que o ganhador dos 15 votos do colégio eleitoral da Carolina do Norte terá uma vitória bastante apertada. Para quebrar a tradição conservadora da região, Obama implementou 45 escritórios democratas no estado, 10 a mais que McCain.

O cientista político e professor da NC State University, Bill Boettcher, acredita que o candidato democrata conseguirá os 270 votos colegiais de todo o país necessários para chegar a presidência, mas duvida que ele vencerá na Carolina do Norte. “O nosso estado já tem a tradição de votar para os republicanos a nível nacional. Nas últimas eleições, por exemplo, Bush ganhou aqui com 12% de diferença, o que é uma marca muito alta para se ultrapassar em apenas quatro anos”.

Para o especialista, o fator que mais influenciará o eleitorado americano nestas eleições será a crise econômica e a maneira como cada candidato pretende resolvê-la. Em pesquisa realizada recentemente, ele chegou à conclusão de que 40% dos americanos estão mais interessados nesta questão, seguidos dos 14% que consideram a questão dos impostos mais relevantes. A Guerra do Iraque e a luta contra o terrorismo são os outros fatores citados, com 10% para cada um – o que daria um total de 20%, considerando ambas as questões como de segurança nacional.

Mesmo com toda essa preocupação no que se refere à crise, os americanos parecem estar adiando um pouco a readequação dos seus hábitos de consumo e transferindo para o próximo Presidente da República a tarefa de resolver todos os problemas sozinho e em tempo hábil. Uma prova disso foi a própria participação das pessoas na festa e o investimento de cada família para poder ‘bancar’ seu dia de lazer – relativamente caro – em nome da tradição cultural.

O problema é que alguns parecem ainda não ter entendido que a tradição consumista dos Estados Unidos pode estar perto de sofrer uma grande mudança. Mas enquanto eles não se preocupam em contar o dinheiro que têm no próprio bolso – apesar de se mostrarem bastante preocupados com a economia a nível macro –, todo o condado já está em contagem regressiva para a festa do próximo ano – esperando que o Tio Sam, através do próximo presidente, encha os seus bolsos de dinheiro até lá.

Infelizmente, em tempos de crise, até os super-heróis estão tentando tirar o que ainda resta no bolso das pessoas.


The show must go on

Posted by admin | Eleições EUA | segunda-feira 27 outubro 2008 16:59

A grande expectativa para ver de perto o cenário do tão comentado show eleitoral americano foi transformada em uma grande ‘espera-ativa’ no aeroporto internacional de Dulles, em Washington (DC), por conta da manutenção que estava sendo realizada em algumas aeronaves da companhia aérea com a qual estávamos viajando – o que nos proporcionou um atraso de quatro horas.

Apesar de sentir na pele o que o Tom Hanks passou no filme ‘O Terminal’ – estando preso em um aeroporto observando o mundo lá fora apenas pelas grandes janelas de vidro –, o que já suspeitávamos se confirmou ainda dentro deste local isolado: em tempos de eleições, os candidatos à presidência americana realmente andam mais populares do que os próprios ‘Pop Stars’. Além de serem capa das principais revistas e jornais, os presidenciáveis estão bastante representados em broches, camisas e canecas que carregam seus nomes e suas fotos por toda a parte.

E por falar em ‘Pop Stars’ e em shows, enquanto esperava o desfecho do aeroporto tive a oportunidade de conversar com um suposto famoso cantor pop paquistanês que está em turnê por alguns países e que tinha como próximo destino a cidade de Nova Iorque. Da mesma forma que nós, Adeel Choudhary não pôde fazer nada a não ser esperar e lamentar a situação com um cochilo. Em tempos de crise, até os ‘pops’ estão baixando a cabeça e ‘emprestando’ seu lugar na mídia – inclusive nas revistas e programas de fofoca – para o republicano e o democrata que disputam a presidência dos Estados Unidos.

No fim das contas, porém, independente do que aconteça, o show não pode parar.