Primeiro café com uma dama em despedida
Em tom bastante formal, mas descontraído, a primeira-dama da Carolina do Norte, Mary Easley, recebeu o nosso grupo para um café na Mansão Executiva do estado e nos falou um pouco sobre a sua impressão em relações às eleições presidenciais de 2008. Correspondendo ao que as pessoas já esperam de uma primeira-dama, a promotora de 58 anos afirma que o seu objetivo tem sido participar ao máximo possível da vida pública do estado – e de maneira independente do seu marido.
Em clima de despedida, já que este ano o Governador Michael Easley está no segundo mandato e não poderá concorrer à reeleição, ela acredita que a experiência de ter sido primeira-dama foi muito boa, mas afirma que sempre entendeu o ‘cargo’ como algo passageiro. “Eu sou uma advogada, meu marido também, e a gente quer continuar nossa carreira depois destes oito anos. Tem sido uma experiência muito interessante morar aqui na mansão, mas também sentimos falta de privacidade”.
Apesar de ser democrata, Easley acredita que o melhor caminho para se obter uma política de sucesso e resolver os problemas do país é através da união de forças entre os políticos e os partidos. Sobre McCain, ela o considera uma pessoa muito capaz e responsável, e afirma que não tem dúvidas de que ele seria um bom presidente; já em relação a Palin… Bom, quando perguntada se a candidata republicana a vice era uma boa opção por ser mulher, sua resposta foi extremamente firme e direta: “Eu quero que os líderes deste país sejam mais inteligentes do que eu, e eu não vejo isso na Palin. Eu não votaria em alguém só porque ela é mulher”.
Como já era de se esperar, a visão da primeira dama em relação a Obama é bastante positiva, o que, para ela, está ligado principalmente ao fato de ele ser um presidenciável que em tese representa a diversidade do povo americano. “Obama é um candidato ‘misto’, mas apesar de alguns acharem isso bom, outros consideram que esse aspecto seja ruim. Mesmo assim, acredito que estamos progredindo, pois eu cheguei a ver um tempo aqui em que havia um banheiro para brancos e outro para o que eles chamam de ‘pessoas de cor’”.
A nível estadual, a disputa para o cargo de governador está bastante acirrada entre os dois partidos e ainda não se pode prever se a 28º família a habitar a Mansão Executiva da Carolina do Norte – nos seus 117 anos de existência – será democrata ou republicana. A certeza que se pode ter, no entanto, é de que a próxima ‘primeira-família’ terá que trabalhar bastante para tentar conter a crise, conquistar o prestígio da população e, conseqüentemente, obter a legitimidade para usufruir das mordomias da casa sem correr o risco de se tornar impopular.




